às vezes perco o fôlego. é natural quando se canta alto e forte por muitas horas. correr os dedos nesses teclado é provavelmente a melhor ação de todas. e quando isso acontece, talvez seja esse sopro de vida,
o que era mesmo que eu queria dizer.
*
o cara me conta
não esquecer
a alquimia
a transmutação das coisas pelo tempo.
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tenho que escrever, mesmo que isso te soe uma necessidade de fabulação, disse a moça. tenho que escrever nem que seja pra rasgar depois. viver o ato do escrevimento; lembrar. o problema da leitura é esse, cada um tem a sua pausa para cada vírgula. viu, sim, estou confundindo tudo, misturando, recebendo as palavras que me procuram. mesmo que isso te soe involuntário demais, espontâneo demais, mesmo assim, eu procuro e sou procurada pelas palavras. eu me encontro com elas, que, ternas, me abriam, sim, é isso mesmo, me dá esse alívio deixar o pensamento solto sem que precise pensar no que isso soa a você, eu disse a moça. por isso vou continuar a narração desses afetos, essas fabulações de afeto; retalhados assim, no próprio corpo, que me desfaço e me refaço.
para juraci dórea
la mer
/substantivo feminino/
há mar
baía. bretagne. bretanha. bethânia.
nós te amamos - MUITO! - grita o moço em plena gravação.
subjetividade geológica. pedrinha miudinha é de aruanda ê. florações da realidade.
with SAILOR OF ALL MOONS e seu gesto de amarrar luas em mim. incessante inconstância.
veja, filha, me disse a beira, estar seca é estar pronta para ser maré cheia, outra vez. preamar.
pés de vento, mãe dágua.
little wings. hendrix uivando nos ouvidos. e oarmarinho ali, no meio do caminho. mundo mundo vasto mundo. imensidão de mar. coisa mais maior de grande. dentro-fora. tãolonge. dj shuffle tocando aláláôôuôôuô in the middle of nowhere. e esse oarmarinho ali, aqui; em toda parte.
a minha pátria é onde o vento passa.
e nunca acordo e nunca durmo.
a viagem da viagem. deslocamento afetivo. proteu, fênix. percorrer essas distâncias, tatear ausências. vazios. reativar memórias e u a li, com meus castelos de beira, querendo rodar o mundo no saveiro de Chico.
o artista fala de outra coisa que é a mesma. que o tempo constrói a obra.
veja, filha, não é que ele destrua a obra, o vento, a degradação, a transmutação da matéria. tudo isso, filha, tudo isso constrói.
dentro-fora, me pego pensando assim. se não é isso mesmo, que os opostos sobrevivem num só. construir destruindo, destruir construindo.
morrer sucessivas vezes para viver, me canta o passarinho poeta, que imprime no barro sua palavra-gesto. na trilha da vibração das pedras, da matéria viva, a metamorfose das coisas.
reparar em tudo pela primeira vez, como florações da realidade. para então germinar uma nova pele, anoto depois, mas não antes de acariciar as crostas, as camadas.
ser a seca na iminência do fluxo. ser tão.
com a maré vai o perigo de toda vida.
preamar, o ponto mais alto da maré. que onda que onda que onda que dá.
e a cor ali, a moça não para de dizer, escrutinando meus ouvidos. entender o meu desejo, primeiro, menino-trovão. o meu desejo. uma madeleine na concha da mão, bocado de tempo pra lembrar. uma ancestralidade que me molha os olhos, que ficam pequenos como os daquela menina do cais, Rosa, filha de Chico, que quer ser canoeira como o pai, que se criou no movimento dos barcos. por isso o adeus, sempre o adeus. saudade nenhuma, aprende, menina, como estratégia de sobrevivência, o tempo todo ser essa âncora doarmarinho, qualquer coisa que levante vôo toda vez que se fixa muito fundo, que fundo é também a beira, é estar seca, ser cratera, cratera de tempo, ter essas crostas, essas pedras rodeando toda a costa.
pradianti, buttlerfly.
veja o mar, filha, amar deve ser essa mutação, essa trilha de pedras. seja íntima dessas miudezas, aproveite esse sol para se secar, para dourar.
verão que virá
poéticas de maré cheia
a mar mãe dágua
la mer
/substantivo feminino/
há mar
baía. bretagne. bretanha. bethânia.
nós te amamos - MUITO! - grita o moço em plena gravação.
subjetividade geológica. pedrinha miudinha é de aruanda ê. florações da realidade.
with SAILOR OF ALL MOONS e seu gesto de amarrar luas em mim. incessante inconstância.
veja, filha, me disse a beira, estar seca é estar pronta para ser maré cheia, outra vez. preamar.
pés de vento, mãe dágua.
little wings. hendrix uivando nos ouvidos. e oarmarinho ali, no meio do caminho. mundo mundo vasto mundo. imensidão de mar. coisa mais maior de grande. dentro-fora. tãolonge. dj shuffle tocando aláláôôuôôuô in the middle of nowhere. e esse oarmarinho ali, aqui; em toda parte.
a minha pátria é onde o vento passa.
e nunca acordo e nunca durmo.
a viagem da viagem. deslocamento afetivo. proteu, fênix. percorrer essas distâncias, tatear ausências. vazios. reativar memórias e u a li, com meus castelos de beira, querendo rodar o mundo no saveiro de Chico.
o artista fala de outra coisa que é a mesma. que o tempo constrói a obra.
veja, filha, não é que ele destrua a obra, o vento, a degradação, a transmutação da matéria. tudo isso, filha, tudo isso constrói.
dentro-fora, me pego pensando assim. se não é isso mesmo, que os opostos sobrevivem num só. construir destruindo, destruir construindo.
morrer sucessivas vezes para viver, me canta o passarinho poeta, que imprime no barro sua palavra-gesto. na trilha da vibração das pedras, da matéria viva, a metamorfose das coisas.
reparar em tudo pela primeira vez, como florações da realidade. para então germinar uma nova pele, anoto depois, mas não antes de acariciar as crostas, as camadas.
ser a seca na iminência do fluxo. ser tão.
com a maré vai o perigo de toda vida.
preamar, o ponto mais alto da maré. que onda que onda que onda que dá.
e a cor ali, a moça não para de dizer, escrutinando meus ouvidos. entender o meu desejo, primeiro, menino-trovão. o meu desejo. uma madeleine na concha da mão, bocado de tempo pra lembrar. uma ancestralidade que me molha os olhos, que ficam pequenos como os daquela menina do cais, Rosa, filha de Chico, que quer ser canoeira como o pai, que se criou no movimento dos barcos. por isso o adeus, sempre o adeus. saudade nenhuma, aprende, menina, como estratégia de sobrevivência, o tempo todo ser essa âncora doarmarinho, qualquer coisa que levante vôo toda vez que se fixa muito fundo, que fundo é também a beira, é estar seca, ser cratera, cratera de tempo, ter essas crostas, essas pedras rodeando toda a costa.
pradianti, buttlerfly.
veja o mar, filha, amar deve ser essa mutação, essa trilha de pedras. seja íntima dessas miudezas, aproveite esse sol para se secar, para dourar.
verão que virá
poéticas de maré cheia
a mar mãe dágua
Morar
no trânsito. Habitar o transitivo. Se colocar em caminho. Estar onde não é. Ser
em todo lugar. Qualquer lugar. Ser precário. Apropriar qualquer suporte.
Utilizar todos os meios. Nenhum meio. Plástico. Caderno. Folha. Sombra.
Mangueira. Carro. Garrafa. Lençol. Caroço. Revista. Caneta. Capa. Lata de
Goiabada. Acaso. Lance. Consciência. Mondrian barato. Ser precário como única
forma de viver. Viver o precário como tática de combate e devoração. 74 – 75 –
76 – 77 – 78. Perceber no precário o transitivo que cria. Experimentar o
precário. Ser precário. Em cada gesto. Em cada composição. Em cada ritmo. Em
cada take. O precário consciente. O precário como luta. O precário como
resistência. Como forma de dobrar a existência. Como canção de mundo novo. Como
terra distante alcançada pelo gesto. Jequié. NY. Itapoã. Beirute. Taprobana.
Speranza. Nenhum Eldorado é mais dourado que star em trânsito. Ser marinheiro
do mar da lua. Construir um barco. Morar nele. Morar no barco precário.
Navegar. Transitar. Ser precário. (PIRES, 2007, p.114).
para além do puro protocolo.
já se passaram mais de cem páginas, um punhado de cabelos brancos e mais de mil leões. alô, cachorros do meu brasil, nada de raiva. mordidas só de carinho. sem medo de dizer, cara pintada, vamo lá, com poesia nos olhos. que o fogo tá na rua e o ano é pouco para nós. é vem ela aí outra vez. vamos tomar banho de mar, meus queridos, vamos de sal. que o açúcar endoidece as gentes.
abraçar e agradecer
a moça da lata me coreografa uma vida. carne viva. essa que pulsa. tudo ficou muito pior quando tivemos que desacreditar nos outros, esconder nossa voz dentro do armário, colocar o corpo todo dentro de uma gaveta, de uma calcinha. não vamos fingir que nada está acontecendo, não vamos acreditar muito no que nos acontece. créditos e débitos. o corpo mordido, levado um pedaço. nossa obsessão. sim, é óbvio, meus amigos, claro claro está tudo fora do lugar, mas como acreditar no tempo sem futuro, no tempo do agora, no tempo da paixão. - quem criou o tempo do sufoco? necessidade vontade desejo? o peito acabrunhado?
ah, não, sem esse moedor, mundo, sem esse violão. vida leve nas folhas das gentes. ar vóres matas de dentro de nós. ser tão mar
comecei, começou, de novo.
navegante do acaso. assim sem saber pra onde corre o verbo.
sem premeditar, sem expectativas, sem grandes planos de como caminhar no tempo. essa vida junto dentro fora de casa. o corpo-mundo. nunca igual. permanentemente alterado, abatido pela experiência.
penduro palavras na parede.
1,2,3 testando
o alfabeto é um grande oráculo
jogo com ele.
já se passaram mais de cem páginas, um punhado de cabelos brancos e mais de mil leões. alô, cachorros do meu brasil, nada de raiva. mordidas só de carinho. sem medo de dizer, cara pintada, vamo lá, com poesia nos olhos. que o fogo tá na rua e o ano é pouco para nós. é vem ela aí outra vez. vamos tomar banho de mar, meus queridos, vamos de sal. que o açúcar endoidece as gentes.
abraçar e agradecer
a moça da lata me coreografa uma vida. carne viva. essa que pulsa. tudo ficou muito pior quando tivemos que desacreditar nos outros, esconder nossa voz dentro do armário, colocar o corpo todo dentro de uma gaveta, de uma calcinha. não vamos fingir que nada está acontecendo, não vamos acreditar muito no que nos acontece. créditos e débitos. o corpo mordido, levado um pedaço. nossa obsessão. sim, é óbvio, meus amigos, claro claro está tudo fora do lugar, mas como acreditar no tempo sem futuro, no tempo do agora, no tempo da paixão. - quem criou o tempo do sufoco? necessidade vontade desejo? o peito acabrunhado?
ah, não, sem esse moedor, mundo, sem esse violão. vida leve nas folhas das gentes. ar vóres matas de dentro de nós. ser tão mar
comecei, começou, de novo.
navegante do acaso. assim sem saber pra onde corre o verbo.
sem premeditar, sem expectativas, sem grandes planos de como caminhar no tempo. essa vida junto dentro fora de casa. o corpo-mundo. nunca igual. permanentemente alterado, abatido pela experiência.
penduro palavras na parede.
1,2,3 testando
o alfabeto é um grande oráculo
jogo com ele.
Eu te escuto, mundo, fala que eu te escuto. seríssima, sereníssima.
sorrio e digo vem, pode se sentar, se assentar no meu corpo. somos todos nós mundos.
ele reside em mim, eu resido nele. saber disso já é um alívio.
sair da eu-foria,
e botar-se atenta. eu sei, eu sei, que vocês estão ouvindo. eu sei que estou falando em público. esse público do privado. privado do público. por que começamos a botar tudo nas caixas das palavras, na caixas de diálogo, nas caixas de futuro?
futuro entendimento
futuro ausente de si
o bruxo diz
- o outro é um eu.
achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz.
explosões
sermos aldeia de novo. vencermos os medos. ouvir mais o silencio com o vento de areia nos ouvidos. desertos de mar. deixar vir o fluxo.
entender o choro como líquido, que sai do corpo. como rio, que vem de dentro da gente. ser rio, ser floresta. as serpentes, as cobras no corpo da gente. movimento contínuo. paz. a cobra viva, a cura, a pipoca.
Não
esconda
mais os seus sentimentos, seus pensamentos, ou os dons
ofereça-os ao resto do mundo.
sorrio e digo vem, pode se sentar, se assentar no meu corpo. somos todos nós mundos.
ele reside em mim, eu resido nele. saber disso já é um alívio.
sair da eu-foria,
e botar-se atenta. eu sei, eu sei, que vocês estão ouvindo. eu sei que estou falando em público. esse público do privado. privado do público. por que começamos a botar tudo nas caixas das palavras, na caixas de diálogo, nas caixas de futuro?
futuro entendimento
futuro ausente de si
o bruxo diz
- o outro é um eu.
achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz. achar essa voz.
explosões
sermos aldeia de novo. vencermos os medos. ouvir mais o silencio com o vento de areia nos ouvidos. desertos de mar. deixar vir o fluxo.
entender o choro como líquido, que sai do corpo. como rio, que vem de dentro da gente. ser rio, ser floresta. as serpentes, as cobras no corpo da gente. movimento contínuo. paz. a cobra viva, a cura, a pipoca.
Não
esconda
mais os seus sentimentos, seus pensamentos, ou os dons
ofereça-os ao resto do mundo.
como se faz um escritor?, somnia sabe e a professora se pergunta, em voz alta, como se faz um escritor?
sento-me aqui para ouvir. fico pensando na criação mesma de retratos nossos distribuídos, panfletados, cheios de vontade da conquista da rede de recados, dos rostinhos bonitinhos do facebook. voltamos ao império da cara, caímos na armadilha do fotoshop. dilvulgo a ação, somnia, a ação da escrita, a intervenção de corte, pra quem quiser, pra quem gostar de palavras materializadas em objeto. poesia tátil.
sento-me aqui para ouvir. fico pensando na criação mesma de retratos nossos distribuídos, panfletados, cheios de vontade da conquista da rede de recados, dos rostinhos bonitinhos do facebook. voltamos ao império da cara, caímos na armadilha do fotoshop. dilvulgo a ação, somnia, a ação da escrita, a intervenção de corte, pra quem quiser, pra quem gostar de palavras materializadas em objeto. poesia tátil.
As canções, principalmente as canções.
Como pensar em outros tempos? Cruzar essas linhas? Volto a fazer perguntas para tentar chegar numa hipótese. Faço novos diagramas. Fazer notas do processo. Pinçar sobras. Perder alguma coisa, desapegar de alguns textos.
Focar-se.
Esquecer a rua, mas sempre voltar a ela.
Fazer pesquisa subindo ladeiras, torneando o corpo, viva, nesta escrita gerada parida no agora.
Tornar a casa
É retomar a força.
Essa história tem que acabar. Foi assim que ele me disse. Essa história tem que morrer. Mas morreu, ele morreu, explico a narrativa a Caioá. Love, can you hear me now? Love, can you hear me? O que eu faço com isso que sobrou? Onde eu coloco? Nas letras, nega, me responde ele, sopre, deixe o vento vendavar pelo teu peito. Deixo. Lembro de xangô quando penso no calor morno de junho que fica prestes a chegar e bater na porta. Uma fogueira nas mãos. Me banho nas águas do mar, enquanto ele lixa canoas. Estou ali ao seu lado. Última imagem me vem feito presságio. Rosa pensa em Jorge, um outro, um duplo. Os novatos se afastam para não pegar fuligem. Entendi, digo a eles. Entender como se criam as coisas, como apertamos laços e nós por aí. Cometer, praticar o amor livre. Cantar vivendo a canção, dançar com palavras. Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre ir onde quiser. Percorrer as bordas da rua, fazendo poesia de passos, na fugacidade deles. Dormir em paz. Ação. Divulg ação . pé quente cabeça fria.
Tornar a casa
É retomar a força.
Como pensar em outros tempos? Cruzar essas linhas? Volto a fazer perguntas para tentar chegar numa hipótese. Faço novos diagramas. Fazer notas do processo. Pinçar sobras. Perder alguma coisa, desapegar de alguns textos.
Focar-se.
Esquecer a rua, mas sempre voltar a ela.
Fazer pesquisa subindo ladeiras, torneando o corpo, viva, nesta escrita gerada parida no agora.
Tornar a casa
É retomar a força.
Essa história tem que acabar. Foi assim que ele me disse. Essa história tem que morrer. Mas morreu, ele morreu, explico a narrativa a Caioá. Love, can you hear me now? Love, can you hear me? O que eu faço com isso que sobrou? Onde eu coloco? Nas letras, nega, me responde ele, sopre, deixe o vento vendavar pelo teu peito. Deixo. Lembro de xangô quando penso no calor morno de junho que fica prestes a chegar e bater na porta. Uma fogueira nas mãos. Me banho nas águas do mar, enquanto ele lixa canoas. Estou ali ao seu lado. Última imagem me vem feito presságio. Rosa pensa em Jorge, um outro, um duplo. Os novatos se afastam para não pegar fuligem. Entendi, digo a eles. Entender como se criam as coisas, como apertamos laços e nós por aí. Cometer, praticar o amor livre. Cantar vivendo a canção, dançar com palavras. Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre Livre ir onde quiser. Percorrer as bordas da rua, fazendo poesia de passos, na fugacidade deles. Dormir em paz. Ação. Divulg ação . pé quente cabeça fria.
Tornar a casa
É retomar a força.
responder que é devagar voltar, assim que o tempo do texto dá um respiro longo, feito o dia na hora do descanso. usar c cedilhas ao invés de s. procurar os mistérios do essecê. não me apegar a nada. poder caminhar sem fios, sem eletricidade fixa. livrar-se. depois, cometer parágrafos suicidas para não morrer, e ela diz não! duas páginas por dia, sem dramas. tudo seu é muita dor, vive, ela diz com sotaque fluminense. faço buracos para entrar o ar. me beijam os olhos, observador. sempre voltas, nunca uma origem. cataventa, gira no meu coração. sopro pra longe não. faço é brisa.
dentro da casa dos caracóis.
entro na tela como quem sai de um mergulho e levanta pra respirar. e a paz da página em branco. da história sempre interrompida. para sair das micronarrativas, sempre esse exercício. para não mergulha na ficção como se fosse verdade, fosse sem corpo a vida.
aqui pulsando na escrita.
locar e deslocar, a cada explosão. o tempo da pausa, pois.
aqui pulsando na escrita.
locar e deslocar, a cada explosão. o tempo da pausa, pois.
nao era coisa de ter captura. nao era isso.
por favor, despluguem essa voz.
nao era coisa de ter captura. foi uma coisa inversa, de soltar. passei meses lixando canoas, suas margens morenas. era uma paz de rio. uma cura de pó.
uma coisa de bater uma agua doce. uma agua doce no corpo da gente. com uma leve maré. isso do rio.
banho de rio nao é banho de mar.
______________ ----------------------------------------------------------------------------------------------
- nada é, vai dizer algum chato.
quão certo vc está disso, eu pergunto.
olhos de fique são.
uma vela vermelha pelos olhos livres.outra azul. tipo um pratinho de cosme.
-------------_________________________________________________________________________
outra nota
outra nota
outra nota
contar alguma coisa que esqueci de dizer.
que de dizer esqueci?
notar o enviesamento da cianinha.
____________________________________________________________________________
rosa senta-se na beira de um rio. ou numa praia no fim da tarde de um vento ar marinho. abre e fecha as mãos como conchas pelos ouvidos. nos labios. nos olhos de meditacao. abre, ativa caracois. dentro e fora. um moreno dourado de verão. lucidez desatinosa. vida mais real. presença. _______________
tudo que se come. ____________________________________________________________________
por favor, despluguem essa voz.
nao era coisa de ter captura. foi uma coisa inversa, de soltar. passei meses lixando canoas, suas margens morenas. era uma paz de rio. uma cura de pó.
uma coisa de bater uma agua doce. uma agua doce no corpo da gente. com uma leve maré. isso do rio.
banho de rio nao é banho de mar.
______________ ----------------------------------------------------------------------------------------------
- nada é, vai dizer algum chato.
quão certo vc está disso, eu pergunto.
olhos de fique são.
uma vela vermelha pelos olhos livres.outra azul. tipo um pratinho de cosme.
-------------_________________________________________________________________________
outra nota
outra nota
outra nota
contar alguma coisa que esqueci de dizer.
que de dizer esqueci?
notar o enviesamento da cianinha.
____________________________________________________________________________
rosa senta-se na beira de um rio. ou numa praia no fim da tarde de um vento ar marinho. abre e fecha as mãos como conchas pelos ouvidos. nos labios. nos olhos de meditacao. abre, ativa caracois. dentro e fora. um moreno dourado de verão. lucidez desatinosa. vida mais real. presença. _______________
tudo que se come. ____________________________________________________________________
o tempo reside aqui
nesse empilhamento de coisas
ser barra de rolagem
é coisa do passado
na matéria de presente
haveria de ser uma crise essa da simultaneidade do tempo? seria o cacoete de registro motivo de greve na fábrica desenfreada do esquecimento lá fora, aqui dentro? pobre e breve e excessiva nossa juventude latino americana quando range os dentes. quando desconhece o sertão. quando perde o brilho nos olhos, essa espontaneidade do improviso.
deixar o corpo alimentado até umas horas. e cantar.
deixa
deixa
deixa
desumbiga
e vai até o chão. e vai até chão. e vai até o chão
barra de rolagem dentroafora
o tempo é dentro das gentes.
nesse empilhamento de coisas
ser barra de rolagem
é coisa do passado
na matéria de presente
haveria de ser uma crise essa da simultaneidade do tempo? seria o cacoete de registro motivo de greve na fábrica desenfreada do esquecimento lá fora, aqui dentro? pobre e breve e excessiva nossa juventude latino americana quando range os dentes. quando desconhece o sertão. quando perde o brilho nos olhos, essa espontaneidade do improviso.
deixar o corpo alimentado até umas horas. e cantar.
deixa
deixa
deixa
desumbiga
e vai até o chão. e vai até chão. e vai até o chão
barra de rolagem dentroafora
o tempo é dentro das gentes.
o sertão era grande demais. era o mundo. a gente escorria numa imensidão onde só importava existir. por isso comecei a pesquisar as pedras. era uma noção de real que eu precisava ter diante do acaso. mas mesmo assim eu fazia disso ou isso se fazia pra mim - tanto faz - de jeito inesperado. isso mesmo. pedras no caminho. mistérios. a pesquisa do desconhecido, feito uma poética. para nunca embrutecer, para nunca enSImentar. o sertão foi um fogo que não tinha mar que chegasse.
parti, querendo ficar. como me doeu isso.
mas sempre havia de ter o carnaval.
gentil me assoprara: esquece a tristeza.
e parti, e voltei e tornei a partir até que a vida fosse pra diante. até que o amor voltasse a arder, feito fogo, fazendo sertão, folia em mim.
tinha aprendido a sutileza da canoa. tinha compreendido o tempo das cartas.
por isso voltei.
mas também não tinha justificativa muito exata. não era preciso. nunca fui. era coisa de não ter bordas. sentido. era a narrativa, era eu, se procurando, se fazendo só.
quando um surdo de terceira do samba na praça ecoou, rompi o silêncio dos perdidos. tirei os fones e soltei a voz. foi lucidez desatino, expliquei a caioá pra depois pingar uma gota de Qboa nos olhos. para que não pudesse ver mais nada de memória, nada de passado. nem morto nem vivo. era carnaval, era fevereiro outra vez, dentro de mim.
e trampolim era pra sambar em cima. viver de risco, ser grave.
chegara da narradora, enxugando no pano de prato as mãos sujas das canções (sic). chegara da ilusão do destino. só valia o acaso.
bastava da maldição do fado.
desliguei o barco e fui pra rima, pro desafino de passos.
mas ao invés da gelada solidão de inverno, uma multidão.
uma multidão gentil a se esquentar de delicadeza, essa política.
num atalho da poética do asfalto, num dia, voltei e sambei outra vez.
parti, querendo ficar. como me doeu isso.
mas sempre havia de ter o carnaval.
gentil me assoprara: esquece a tristeza.
e parti, e voltei e tornei a partir até que a vida fosse pra diante. até que o amor voltasse a arder, feito fogo, fazendo sertão, folia em mim.
tinha aprendido a sutileza da canoa. tinha compreendido o tempo das cartas.
por isso voltei.
mas também não tinha justificativa muito exata. não era preciso. nunca fui. era coisa de não ter bordas. sentido. era a narrativa, era eu, se procurando, se fazendo só.
quando um surdo de terceira do samba na praça ecoou, rompi o silêncio dos perdidos. tirei os fones e soltei a voz. foi lucidez desatino, expliquei a caioá pra depois pingar uma gota de Qboa nos olhos. para que não pudesse ver mais nada de memória, nada de passado. nem morto nem vivo. era carnaval, era fevereiro outra vez, dentro de mim.
e trampolim era pra sambar em cima. viver de risco, ser grave.
chegara da narradora, enxugando no pano de prato as mãos sujas das canções (sic). chegara da ilusão do destino. só valia o acaso.
bastava da maldição do fado.
desliguei o barco e fui pra rima, pro desafino de passos.
mas ao invés da gelada solidão de inverno, uma multidão.
uma multidão gentil a se esquentar de delicadeza, essa política.
num atalho da poética do asfalto, num dia, voltei e sambei outra vez.
longas horas em frente a branca tela, birô de palavras. finalmente voltar à velha máquina e o romantismo que ser exotérico nessas horas
ciganamente
o que?
ah, o pato.
não esquecer
performance do ovo
pulso do cursor
abre lente imaginária>
um objeto que grita.
uma escrita que pulse dentro da gente. mesmo quando estiver fora, materializada através da linguagem. assumir uma honestidade no que diz, não no que se pode ser. pensar na folha de ofício.
foi um recado assim: valeu, galera, tô forte.
um capítulo intitulado: rede de recados
o amor na explosão da dança. a afetividade como mote de uma poética. entender como LC E CL fazem isso. a autoria como lugar provisório. afetividade e provisoriedade casadas em muitos tempos. a brevidade. a nossa juventude latino americana. quem escreveria um livro intitulado assim? quem hoje escreveria mais um casa grande?
ciganamente
o que?
ah, o pato.
abre lente imaginária>
um objeto que grita.
- era um grito de alerta.
- ele ouviu?
- não.
uma escrita que pulse dentro da gente. mesmo quando estiver fora, materializada através da linguagem. assumir uma honestidade no que diz, não no que se pode ser. pensar na folha de ofício.
foi um recado assim: valeu, galera, tô forte.
um capítulo intitulado: rede de recados
o amor na explosão da dança. a afetividade como mote de uma poética. entender como LC E CL fazem isso. a autoria como lugar provisório. afetividade e provisoriedade casadas em muitos tempos. a brevidade. a nossa juventude latino americana. quem escreveria um livro intitulado assim? quem hoje escreveria mais um casa grande?
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