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para no dia que você vier
e eu não estiver ido embora

toma esse poema, observador.

pra no dia que você não vier
e eu nunca tiver ido embora
desse lugar

toma esse poema, querido,
que ele me sossegue o corpo

pra no dia que você vier
tarde demais, observador,
quando eu já tiver partido,

esse poema, meu amor,
toma,
que ele te beije os olhos.

a moça se banha nas águas do rio, com uma nascente na barriga. vai levando a flor pela correnteza. e lá vou eu, junto, levando cinzas, abrindo caminho pro mundo, que é o meu lugar. não desendurecer a cada fraqueza, endurecer, endurecer, me clama, feito torcida, feito multidão de bloco, a juventude latinoamericana. uma força que vem sei lá de onde, do sertão, qualquer coisa que você, observador, não entenderá. nunca.

beijos de monja, observador, parti.  voei das historinhas. passou um vento forte e ginguei pra longe, pradianti. lá, uma água clara, viva, onde se vê os dedos do rio, as pedras curadas só do que fica no fluxo. espessuras. o gesto de delicadeza da moça conduzindo um rio de ilusões.
devolver as máscaras. sobressair um olhar fresco, refeito, rarefeito. seja como que for, assim, raro, precioso. pôr as angústias no pé, nos calos. sambar em cima. como louca até sorrir.
olhos nos olhos, observador, todo meu silêncio para sua marcação. nunca mais medo, nunca mais surdo.
nunca mais você, terceira pessoa no singular.
antes, este cardume polissêmico. coletivo, plural. gentes dentro das gentes. uma mocidade independente. latina, americana. sem receios, sem freios; sem varandas, sem privilégios. livre, leve, lavrada a alma para crescer madura, sem esse seu semblante verde, sem a sua estupidez.

beijo nos olhos, observador, não me liga. que a ferida, quase seca, magoou.

ooOOoOoOOOOOOOOooooooOOoOoOOOOOOOOoooo ooOOoOoOOOOOOOOoooo
soprO
jájá
vOu
voO
para lOnge


me cansei de narrar.

- quem nao esta no livro das caras nao existe, me disseram.
- em que real, perguntei.












beijo nos olhos, observador
me liga

jamais portas-contra

na beira dos olhos
te beijo
sempre a favor

por trás da lupa
o abridor de horizonte
da visão justa que derrama
na beleza da pele
na textura da cor
um tom de olheiras me olha, me abre, me fecha

beijo nos olhos, observador
finja que não é você



sigo para teu longe-perto
abraçando tempo
num violão meio falado, meio concreto


capituresco,
os olhos de ressaca
de homem
todo dentro de mim
fa-tal


beijo nos olhos, observador, e outro beijo e mais um beijo


que seja assim
uma política da delicadeza

sempre livre leve solta







- que real, que real, me pergunto, sorrisando pelo vento. real é rodopio.























olhos de ficção
transbordam quimeras
derramam absurdos
s/ o armarinho.



fique são
que meras palavras 
não te dizem tudo que sou

beijo nos olhos, observador
acorde

que amam mais os poetas
a sua invenção
do sopro de vida vivida
acorde maior 

olhos de dengo
no volume máximo

me beije nos olhos, observador
s/este ar marinho

uma xícara de chá de lantejoulas
olhos negros cruéis tentadores
vento que dá na vela



roda o disco da política da delicadeza
sempre o carnaval, essa ficção
barco que leva a gente
beijo cego

s/o batom vermelho