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tinha estourado uma tinta laranja, foi isso. nunca soube dizer como, mas sei que minhas mãos ficaram dias marcadas e tudo que eu tocava, as roupas, o cigarro, o telefone, as notas de cinco reais, tudo, tudo foi ficando laranja. as cartas foram tomando aquele alaranjado brilhante. o biquíni. a pele. e ela dizendo: tua escrita é tua pele. e eu respondia, agora vai ficando cheia de cor. mas por que só agora? 
não sei. 
sei que quando o vermelho chegou, eu me levantei da mesa e parti.
antes do final do jogo. 

por isso
diga

o inverno passou
e nós
passarinho




















ovo apunhalado s/lápis de cor
feijão e arroz vermelhos
sementes de girassol



[dá pra você sair aqui da cabeça?
obrigada.]


uma pitadinha de dedos de batom vermelho


[porque eu fiquei tão loooooonge, longe, longe]

chega isso nos meus ouvidos como se sobrasse ainda um pedaço de memória dele em mim. sinto um desconforto. e mais nada. nada que possa ser verbalizado, nem imaginado, nem feito, encarnado de palavras. ponho um fio condutor nos braços e saiu desenrolando. por aí. de mostilhas. como chama o nome disse? vê, estou sem condições de digitar. eu preciso de um banho de mar. mochilas, fui.
estou ensaiando, tirando do caderno para o blogo quando paro longamente

acho que se instaurou uma situação péssima entre nós

mas eu resisto

e lamento.

sustento a opinião

há um mês pinto initerruptamente a unha de vermelho. chega, amigo. tô dando adeus a um por um, ouviu, jovens? meu tempo é agora e é só meu. aliás, é de todo mundo que vir do vento. conjugo os verbos pela musicalidade da frase. sou uma autodidata, não sei leis, não sei normas visuais de sintaxe. conjugo pelo som, pelo batuque do teclado. meu samba não se importa que eu não tenha amor, se dou meu coração assim sem disciplina.

coloco dois bonecos da cracovia na ponta da agulha. para a radiola tocar. esse cenariozinho recorrente. paro. me sirvo de mais do vidrinho e continuo. esse aqui é publicado em tempo real, isto é, de um lado o acaso, o agora da ação, do outro ficcional, posto que posterior, morto (?), esgotado (?), performático (?).
espetacular, não, né? tens certeza que é mesmo sobre isso que escreves?

iansã caiu da ponta da agulha e me disse: quero ficar num lugar alto. altar.
- eu tenho essa coisa do dizer sim, sabe? topar tudo um cinema um botequim. mas chegou um tempo de dizer não. topo tudo não. ------------------ o bloco do prazer.o sim do desejo-----------------o perigo de viver-------------só------------de brisa, de vento-------- topo tudo não. ----------------- tudo se tingiu de um amarelo e eu fiquei maluca. -------------- se fosso fosse---------------------------------------meu--------de hoje a 8.
seria esse cimento vermelho barro.