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as amêndoas amassadas no chão do largo. tampinha de heineken joga amarelinha. três voltas na praça com a bicicleta de ritinha. o menino na garupa. a vida no delírio de rodar rodar rodar e cair. brincadeira favorita. titia na lanchonete, o bolo de tapioca quentinho e mais gostoso do mundo. pode demorar muito. pode demorar pouco. tu vens, eu vou. dois perdidos e muitas variações. um bolo, um garfo e um cachorro quente de faca. onde o vento faz a curva, venta forte na nossa cama. 
um frio na barriga 
de ir embora. 
mastigo folha na ilha dos lotófagos.
procuro a qboa para pingar nos olhos.
quero esquecer tudo outra vez.

o corpo-gelo do rapaz, o corpo-esquiva. intermitente, em fuga. quero apagar do meu, de mim, esta memória das mãos se esticando para tocar. me esticando inteira para tocar.

nunca mais, nunca mais o corpo-gelo
essa ilha de sonhos extraviados, de desejos falidos
nunca mais
essa distração
essa armadilha
de voltar sempre ao mesmo lugar.



tá no volume máximo e eu peço que ele aumente um pouco. é que sofro de dengo, digo aos reflexos dos vidros que abrigam seus olhos oblíquos feito caracol. pergunto por que ele demorou tanto, por que nunca respondeu minhas cartas. e ele me chama para ouvir o mar, fazer qualquer outra coisa da ruína que não esse peso, essa pedra, cheia de perguntas. deixasse minhas perguntas pra pesquisa, ele mesmo não sabia o que responder, mesmo sendo também sertão. só não queria afirmar nada, disse roque, trazendo literaturas para ler em voz alta. eu devolvi uma miragem do porto. silenciosa. quase ausente. fiquei naquela beleza só, só vendo. queria mesmo era marambaia, desejava o sossego do amor, não o barco sem rumo. isso surpreendia roque, que achava que era meu escolhido. que desconhecia que vivia no acaso. e que eu tinha sim navegado também no corpo dele. também. mar da vida. aquele dicionário marítimo que fazia meu corpo girar. me fazia maior.











                                                                                 



PARA bERIMBA DE JESUS

Just the Wind blowing _                                                                                        
Without legs.                                                                                                             
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _                            
_ an ant climbing the paper                                           
 sweet paper, honey                                                                                                            […]
a writing made of sugar                                                 
volúvel, não                                                                                                                        very
solúvel.                                                                                                                   green grass 
des_carregador_ _ _ _ _ _                                                                                     and a lake
rega essa grama                                                                                           dancing over me
para pôr os pés                                                                                                I already lived
e sonhar, outra vez                                                                                     this kind of body
                                                                                                                  a very late lake soul
a meninha ruiva me leva para passos de memória revividos nas canções de juventude. fones de ouvido, perdida, vi andante. um novelo, um bolo de sentimentos revividos na voz dele, me cantando sem parar um velho novo disco. tinha se tornado mais arrogante, embora doce ainda, rural, tinha andado sumido de mim, do meus trajetos, roque. muito só, sem muitos medos mais, além dos que já soubesse. coisas que eu nunca mais tinha escutado, mas que sabia, eu também, cantar. roque senta-se afastado, pede uma cerveja e um copo. fecha as portas imaginárias do seu setor. me aproximo do vidro e escrevo que era só mais um adeus, nada mais. estilhaço-lhe. depois faço um muro feito eu fosse ilha. eu e ele. escuto repentinamente, coisa de segundos depois, um toc toc, mas aí já tinha me blindado toda. blindado a minha ilha. repito algumas palavras para enfatizar que a vida das ilhas volteia, na aridez do sertão. três dias apenas seria suficiente para eu recobrar a força que herdei daquela utopia. manobras para solidão, vaga de garagem. estaciono um pouco, saio do automóvel. parar ààààs vezes é bom. desautomatizar a digitação. eu tinha aprendido naquela ilha onde naufraguei um dia com roque, eu aprendi a desaparecer com o vento, a parar de co-mover-me.
sertão, o lugar mais perto da morte onde se chega. leio isso nos olhos dos irmãos adotivos e seus relatos retirantes. mesmo quando ausentes, leio nos olhos. me vem matogrosso e reaparece, como se forjasse essa vontade de rio. ele vem numa canoa e posso ver o vento batendo-lhe no rosto. é quando balbucia: - gerais, os ventos são gerais. deslembra da viagem que não cessa. continua, continua, continua. para respirar, deter-se nas coisas simples. no gesto do agora, uma pequena pausa, uma palavra que acontece e nos abandona logo em seguida. o terminal 2, muito pequeno, fácil de circular. por que tudo precisa ser grande? por que tudo precisa ser tão? estaciona azul o avião. letras verdes. quero rio. ê mar, é vem. querências que não precisam acontecer se não dentro da gente. realizar não é o fim, o sonho é sopro, é vento. entendamo-nus. entendamos o norte.
das tolices_
aqui é tar -se _ _


amoitado, o medo na mata. e o tempo, descendo pelo corguinho, ensinando................ que é isso a espera. uma questão de tempo.
sem explicação, ensinava. só de verso era a lição. desses que não se veem. se colam na vida, no passo.
da frieza das pedras. que não esperam, que não morrem.
toca-as.
e não me dizem mais nada que a vida, ali, ela mesma. não me dizem, não me narram.
bordo brisa.
- se for permitido sonhar -
com o armagor do goiás, amar... travez, talvez.
o sol vindo, vindo. tomando o corpo com o cair das horas vespertinas..............
o corpo vindo, vindo. resfriado de pedras.
um moço bruto e doce recosta sob mim. vem, mas não chega. segue uma rota de clichês, uma dramaturgia padrão. um tempo menor, da mesquinhez de minutos, rasga a promessa de felicidade, aquela coisa toda que chamam coisa linda.
vira-se.
escosta sob meu umbigo o seu corpo-pedra, seu corpo-gelo. se resfria e só eu me derreto. muito líquida, muito vermelha.
que prefiro não congelar.
caminho longas horas ao sol, depois de ser concha só.
lado          a         lado.        c   o   n    c   h  a     s   ó .

que me abram, leve, se quiserem ouvir o resto da conversa
daquilo que se escorre
livre
mansa
uma sensibilidade água.

"amigo, amigo!", alerto o animal, na mata. um moço, embrutecido. "amigo, amigo!"

nada parece ressoar. nonada. qualquer coisa que já passou. ou vai passar. escorrer. isso que não sobrevive nem a eco.


me esfrio, tempos depois. a pubis sob a terra, temperatura ambiente, quase morna, quase fria.
equaliza-se finalmente com o nada.

muito ar
ar monia
ar menina

que no mergulho tem tudo aquilo de parar de respirar. autocontrole para nadar. medo do rio, beira de mata. correnteza.

vasto e informe
o sertão
......................................................... e uma água que corre
p e l o s     p é s   d a s   g e n t e s........................................................................................................


esse corpo-buriti.
ciliar 

eu que me fiz água em pedra de gelo. eu que tornei a ser líquida e crescer na frieza de um corpo qualquer, de um bronco avulso, uma chama de maçarico, me decompus pedra outra vez. giz de mim.

e voltei a narrar o desnarrável modo de rexistir a solidão do sertão, a pagar as contas das palavras, a enfrentar os calabocas, os calabouços da insustentável leveza (sic).

ai que preguiça de me fazer pedra travez.
que meu grito se sair, sai tolo.

por isso um silêncio muito grande.
um vácuo.






não responder.


ser gelo, então?






 



o sertão era grande demais. era o mundo. a gente escorria numa imensidão onde só importava existir. por isso comecei a pesquisar as pedras. era uma noção de real que eu precisava ter diante do acaso. mas mesmo assim eu fazia disso ou isso se fazia pra mim - tanto faz - de jeito inesperado. isso mesmo. pedras no caminho. mistérios. a pesquisa do desconhecido, feito uma poética. para nunca embrutecer, para nunca enSImentar. o sertão foi um fogo que não tinha mar que chegasse.

parti, querendo ficar. como me doeu isso.

mas sempre havia de ter o carnaval.

gentil me assoprara: esquece a tristeza.

e parti, e voltei e tornei a partir até que a vida fosse pra diante. até que o amor voltasse a arder, feito fogo, fazendo sertão, folia em mim.
tinha aprendido a sutileza da canoa. tinha compreendido o tempo das cartas.
por isso voltei.
mas também não tinha justificativa muito exata. não era preciso. nunca fui. era coisa de não ter bordas. sentido. era a narrativa, era eu, se procurando, se fazendo só. 

quando um surdo de terceira do samba na praça ecoou, rompi o silêncio dos perdidos. tirei os fones e soltei a voz. foi lucidez desatino, expliquei a caioá pra depois pingar uma gota de Qboa nos olhos. para que não pudesse ver mais nada de memória, nada de passado. nem morto nem vivo. era carnaval, era fevereiro outra vez, dentro de mim. 

e trampolim era pra sambar em cima. viver de risco, ser grave. 
 
chegara da narradora, enxugando no pano de prato as mãos sujas das canções (sic). chegara da ilusão do destino. só valia o acaso.  
bastava da maldição do fado.
desliguei o barco e fui pra rima, pro desafino de passos. 
mas ao invés da gelada solidão de inverno, uma multidão. 
uma multidão gentil a se esquentar de delicadeza, essa política. 

num atalho da poética do asfalto, num dia, voltei e sambei outra vez.

uni ver cidade de bras ílha


universo de barro. sertão. aquela luz laranja. enterrar um desatino, um dissabor. um gostinho de terra na boca resta. curar uma agonia. dessas, de ser   tão. cruzar com a paz do silêncio imenso que diz a terra vermelha. de barro. oca.
seu oxossi vive aqui, nos galhos nus.

no tempo da seca
o mais tátil e tácito
de todos

é tempo de ipê rosa coral
depois de um amarelo lima
que ainda resta
tempo

me sento embaixo do ipê
muitas horas.dur a ção

as flores caem feito chuva.
e de repente, uma ilha
ao redor

há e não há bordas, aqui.

o céu, do horizonte do plano, rompe, destrói a maquete e se faz infinito.
e a gente junto.
o deserto, o decerto.
tudo aqui é muito nu

imenso > pros lados

tudo muito pele
da casca das coisas
da gente, junto.

o chão, íntimo. as painas nos chamando para voar. leve.
a seca.
e o roque.

porque há muito silêncio é que se escreve aqui. urgente. por isso o sertão.


a história é minha, camarada.
e a travessia não para
nunca.  
se digo me emociona, que emoção é essa? beto me faz muitas perguntas que não sei responder, nos idos anos 2000. uma voz muito grave invade a casinha e ela me pergunta num guardanapo de papel tipo seda: há um elo entre o mundo real e aquele outro, onde só a gente sabe onde fica? há tempos. e as letras continuam fincadas nos papéis avulsos. e o sertão perdido dentro de mim. e os castelos todos ali, registrados, quase atemporais. palavras repetidas. nunca, nunca a vitória do risco, de certo que só tatuagens. complexo de lídia, uma doença dos olhos. Eu guardo papéis, confesso mesmo sabendo que Beto já sabe disso. ele sorri e toca sempre as mesmas músicas ao violão. repito porque sempre tive esse medo de perder por não saber da morte. detroit, 2004, tudo ali sempre se repetia. ele fecha o case enquanto somos expulsos de mais um café. seus olhos sempre me asseguravam, no final de toda noite: tudo bem. te sinto.