para juraci dórea
la mer

/substantivo feminino/

há mar

baía. bretagne. bretanha. bethânia.
nós te amamos - MUITO! - grita o moço em plena gravação.
subjetividade geológica. pedrinha miudinha é de aruanda ê. florações da realidade.
with SAILOR OF ALL MOONS e seu gesto de amarrar luas em mim. incessante inconstância.

veja, filha, me disse a beira, estar seca é estar pronta para ser maré cheia, outra vez. preamar.

pés de vento, mãe dágua.

little wings. hendrix uivando nos ouvidos. e oarmarinho ali, no meio do caminho. mundo mundo vasto mundo. imensidão de mar. coisa mais maior de grande. dentro-fora. tãolonge. dj shuffle tocando aláláôôuôôuô in the middle of nowhere. e esse oarmarinho ali, aqui; em toda parte.

a minha pátria é onde o vento passa.
e nunca acordo e nunca durmo.

a viagem da viagem. deslocamento afetivo. proteu, fênix. percorrer essas distâncias, tatear ausências. vazios. reativar memórias e u a li, com meus castelos de beira, querendo rodar o mundo no saveiro de Chico.

o artista fala de outra coisa que é a mesma. que o tempo constrói a obra.

veja, filha, não é que ele destrua a obra, o vento, a degradação, a transmutação da matéria. tudo isso, filha, tudo isso constrói.

dentro-fora, me pego pensando assim. se não é isso mesmo, que os opostos sobrevivem num só. construir destruindo, destruir construindo.

morrer sucessivas vezes para viver, me canta o passarinho poeta, que imprime no barro sua palavra-gesto. na trilha da vibração das pedras, da matéria viva, a metamorfose das coisas.

reparar em tudo pela primeira vez, como florações da realidade. para então germinar uma nova pele, anoto depois, mas não antes de acariciar as crostas, as camadas.

ser a seca na iminência do fluxo. ser tão.

com a maré vai o perigo de toda vida.
preamar, o ponto mais alto da maré. que onda que onda que onda que dá.

e a cor ali, a moça não para de dizer, escrutinando meus ouvidos. entender o meu desejo, primeiro, menino-trovão. o meu desejo. uma madeleine na concha da mão, bocado de tempo pra lembrar. uma ancestralidade que me molha os olhos, que ficam pequenos como os daquela menina do cais, Rosa, filha de Chico, que quer ser canoeira como o pai, que se criou no movimento dos barcos. por isso o adeus, sempre o adeus. saudade nenhuma, aprende, menina, como estratégia de sobrevivência, o tempo todo ser essa âncora doarmarinho, qualquer coisa que levante vôo toda vez que se fixa muito fundo, que fundo é também a beira, é estar seca, ser cratera, cratera de tempo, ter essas crostas, essas pedras rodeando toda a costa.

pradianti, buttlerfly.

veja o mar, filha, amar deve ser essa mutação, essa trilha de pedras. seja íntima dessas miudezas, aproveite esse sol para se secar, para dourar.

verão que virá
poéticas de maré cheia

a mar mãe dágua

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