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ela me abriu as cartas pela última vez, antes de morrer. mandou eu mesma anotar o que estava por ser dito. como se me dissesse que dali em diante fosse eu a responsável pela escrita da história. 
as palavras tem poder, filha, diz sem novidade.
olha as cartas do jogo e meneia a cabeça.
em seguida me olha fundo.
- não há você nesse jogo, filha. o que você está sentindo é pura ficção. 
talvez porque acreditasse ainda na verdade. talvez porque fosse esse o cacoete dos escritores: querer escrever a vida a seu bel prazer. ou mesmo porque eu acreditasse nas cartas até o fim. dali em diante era eu agora a responsável pela leitura das cartas, era eu a cigana. talvez sempre talvez, por isso mesmo ela beijou minha mão e não me disse mais nada. nunca mais.
porque eu acreditei no acaso. na invenção. 
tempo-espaço. cartilha das árvores. laço de pano branco. água de cheiro. ................... o tempo, o mais sábio de todos. ........ tudo novo, renovado outra vez. dedos zeram o cronometro, embora o instante nunca pare de pulsar, passar no corpo da gente feito fluxo, imprimindo gesto. prefiro as frases curtas. quase ideogrâmicas. como pedra. como um ovo. .................................................................................................. quebro todos eles. ..............
entre dois corpos, dois pontos:
folha em branco espacial
p e r e n e
p  e  r  i  c  l   i  t  a  n   t  e

sempre, já mais periclitante.
rasteiras que riscam o corpo da gente, feito giz.
você escreve frases muito longas, ela me disse. é o tempo do pensamento que se dá no correr da frase. às vezes longo, às vezes logo. 
plantar girassóis
imediatamente.feito um troço que pega fogo. 





alguém falou de reticências no meio da noite?
não me lembro.


amo esquecer.

fica só o ilegível


e o resto uma mancha branca de Qboa. que não sai, nunca, feito queimadura. derramou vida ali.