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me senti numa aldeia,
plena como não estou agora, fora do ritual.
pensava incessantemente, quando reconhecia do transe aquele céu, na fuga, na liberdade. na delicadeza do bailado, das cirandas, dos erês. 
deixei tanta coisa escorrer naquele templo a céu aberto. 
entendi tanto o tempo.
e mesmo assim a impermanência da carne, uma fortaleza no sangue correndo nas veias, verdes, feito rio. os olhos de água, se derramando, pondo tudo pra fora, sem que nada disso fosse espetáculo, mas experiência, mas movimento...
E aquele agogô acordando a minha ancestralidade. e os místicos se saciando de vida, de presente. 

me senti numa aldeia, uma outra.
sempre trocando trocando trocando, fugindo da capa, sem ressentimento dela, pulando de panela em panela, de manhã em manhãs, página por página. vivi o amor junto o amor só. e o tamanho do mundo dentro dele. o fora-dentro feito tivessem a mesma pele. era só fechar os olhos e sentir.

por isso eu disse a ele, sem que aquilo pudesse ser lido um dia por qualquer outra pessoa, ele, inclusive

- te amo, mas não te quero pra mim.

mas não, eu disse mais não, mesmo sabendo que ele tinha sido meu homem, meu homem dentro de mim, fazendo marca no meu corpo. que a tantos pertencia que não pertencia a nenhum. sim, é claro, não me confunda, dizia a caioá, havia uma pedrinha dele, pequena, verde, desenhada com seus olhos que nunca saíram de dentro de mim.
mas isso não pesava a me impedir de caminhar. no fundo, lá, do bolso, fazia era um barulhinho bom, quando da fricção com os outros grãos as outras chaves as palavras, verbos congelados, esse rio pra patinar.

era o tempo-teia

e eu era livre outra vez. 




















tudo bem que você se incomode, eu também me incomodo, disse, mastigando pedra. estou aqui pesquisando, tateando essas rochas, levando pra casa aquilo que me parece pré-didático. tudo bem, eu disse, tudo bem. engoli rápido e forte a fumaça. estamos perdendo tempo de conhecer outros becos, outras peles, ela disse e eu concordei. ficas vinte e quatro horas sentada nesta mesa, me diZ caioá a quem permito diZer tudo que pensa.

<br></br>

de repente alguma coisa parou de funcionar no meu teclado,
novamente tive a força de diZer,
finalmente entendi a coragem em um não diZer.
costurada fora toda aquela cicatriz, aquele relevo de palavras picotadas.
marina lima o dia inteiro para virar a página. que, no fundo, no fundo, somos todos sós, poetas. e a poesia é antes de tudo uma experiência, a ficção uma mentirinha.
não, eu disse a moça, não me fure com seu olho vodoo, esse olho alfinete. agulha. abotoadeira.

/interrompi o fluxo com a pedra, no dente, decidi não mastigar. tinha coisa que era assim. um troço rígido feito osso. falso trigo. falso pó.
nem tudo flui a cada teste.

dadamaloca s/armarinho de revelar



essas intenções
se viam
procurando dentro
um rio pra patinar


























armadilhas s/violão

it's a minimal head movement
to see the building with the blue sky
to take a deep breath
to feel happiness



ia me indo, depois de tanto navegar, na rebordose do balanço do mar, no retorno a casa. depois da chuva foi fazendo um céu muito azul, o sol que a gente precisava pra se proteger do que se escamoteava sob os nossos ombros, daquilo que só sabíamos dizer não sei.
foi quando de repente elas começaram a chegar. primeiro uma, tempos depois outra. e depois várias. mais de uma num só dia.
tinham muitas cores mas principalmente as laranjas. as ocres. as telhas. as borboletas me atravessavam o tempo todo. e diziam, não paravam de contar bons preságios.
eu não tive dúvida, só porque já era vitorioso por demais estar ali, vivendo a vida que tinha escolhido. eu tinha decidido pelo porto outra vez. e mesmo assim, nessa certeza, comecei a sussurrar secretamente novos desejos pro corpo da casa, pra casa do corpo. comecei a escrever presságios, cigana que era.
me desfiz das ancoras, essas que eu tinha aprendido desde moça a manejar, aquele jeito velho de sentir amor feito ele fosse posse. valia o amor, mas valia ali, tanto quanto, a liberdade da solidão; que era tudo que tinha.
abandonar o mar para viver de terra, de areia de litoral.
de achar de ser sertão também na babilônia. de fazer da babilônia um sertão.
ai ai ai -
e eram tantos, muitos, eram demais os perigos da vida, as armadilhas do ego do sexo do prazer da paixão. eram tantos que abri as janelas, acolhida, para ouvir um pouco só aquele violão, poesia de fim de semana, pedacinho de céu.
depois reforcei o teto que caíra com tanto tempo de abandono daquela casa que tinha sido minha uma vez. abandono que tinha sido feito só entre mim, entre muitas de mim, e todo o passado.
aí arranquei todo o mato, fiz jardim, teci agasalhos. compus sambas por ali. novos, novinhos. pra demorar de se cansar. pra demorar de se cansar de cantar.
- e elas ali, voando entre nós -
não tinha vestígio de qualquer passado.
quando os moços, os jovens moços ainda cantavam no longplay, pinguei mais uma gota de Qboa nos olhos
e fui, solta, desenrolar o tempo, o tempo do novo.
promessa de felicidade.
bocado de terra.



















sobrevoo s/caio horóscopo abreu 


seeds
there
in his hands

a small portion of love

lay your head, whisper somebody else 
to listen the lesson

 terra, respondo em português.



tardes morenas. magnólia, eu disse, mag mag mag nólias.

na hora q foi todo mundoi eu vim

ai meu deus que mania de amor
que vontade de terra.

e o batom vermelho?
still there. still there.

eu disse magnólia eu disse magnólia


não escondo minha meota
de ninguém.

but

i love you
i love you all

não, mag, não foi ficar menorzinha menorzinha
foi ficar maior



por isso, se não agir não vai acontecer.
Vamos transformar isso, camarada.
Precisa de solidão pra construir um teto. E o teto é onde mora o amor.

por isso greve geral do dizer
férias, verão. 

verão que virão as mil laranjas
os 29 beijos
os 32 dentes

dentro do calorzinho do ventre de júlio

movimentar-se para esse pacífico que vai chegar,
esse outro mar

concentrar-se em si mas nos outros
na multidão

ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir 

dizer cotidianamente mesmo sem bondade, mas no amor

saber que é isso mesmo. nem todo dia tem nuvem leve no céu.
por isso corra
corra e olhe o céu

me cante alegrias, me cante paixões


uma hora serei toda tua, armarinho
toda tua

mas agora estou bagunçada, enrolada nos fios elétricos, nos trios frenéticos da vida
esse tempo que pouco tem pausa

isso, isso, faz assim que alivia, 
pôr a cabeça no armário e dizer
 iloveyou
mas tá tudo bagunçado, emaranhado

ah, não importa
pelé disse love love love

escutar os próprios barulhinhos, então. e dizer -
- é permitido. tudo. 

e quem aguenta tudo, meu amor?
até quando aguentaremos esses nós. esses nozes.


pergunto em voz alta. 
aumento um pouco o tom para que não percas minha voz na babel que nos cerca
todos


você acha que sente mais que todo mundo, me julga caioá, ferino como é

ah, meu amor, é esse verão que me bota inexoravelmente intensa





deixa eu fingir?





vai passar, meu amor, o verão vai passar. vai passar. vai passar. 


E eu volto. Só para ti. Só pra ti. 















sem cais s/azul

chico reaparece, depois de um longo sumiço. está aborrecido com qualquer coisa da vida e se apoquenta de me ver em alto mar. aumenta o tom de voz, me tira do saveiro e diz com dureza que prefere que eu volte para a areia, que eu cultive âncoras, que eu tenha filhos. permaneço silenciosa como acordei. se ele que me ensinou  a viver de pradianti, a amar os canoeiros, que talvez não se lembre disso mesmo, que me ensinou no corpo, no gesto, sem dizer uma palavra sequer e eu tenho vontade de botar texto, dizer, não, meu pai, me deixe em alto mar, pois todo cais é uma saudade.
talvez ele esteja muito velho para tantas aventuras de amor no violão e me quer inteira fincada na terra, por isso continua dizendo, já como se conversasse sozinho, você precisa dessa segurança, rosa, você precisa dessa estabilidade. respondo comigo mesma mas a vida é meio água, meu pai, e aí me confundo se é essa mesmo a metáfora. me confundo muito e olhando pra chico às vezes duvido que ele se lembre que é um marítimo. só por uns instantes. isso dele virar outro tem hora. talvez porque sinta dor de ser o que é. isso que sente todas as gentes. por isso inventa, inventa, fica inventando imagens para mim. penso depois de muito tempo ainda posso ainda posso ainda posso ir bem mais. eu sei desse cansaço, meu pai, não digo. devolvo qualquer rispidez. que eu também tenho as minhas dores. as minhas perdas. o meu amor sem cais. os braços de jorge que nunca mais. as mil lágrimas secas no que restou de sal.
encaro-o docemente, logo após, que vejo ali um homem que amou demais. aquele velho sonhador.
tantas imagens simultâneas e são novos os olhos que lhe aponto, como se aquelas temporadas de mar, desde que deixei a beira, tivessem colocado ciscos no meu olhar.






















outono s/armarinho

do acaso das águas


mover disso
tempo























th de mello s/ lantejolho






he gives me river lessons
with delicate eyes


something about love
the biggest, he means

something as a wind breath
strong
soft

wild like nina sings


and more and more and more

a dry fish
in her hand
and she keeps saying that


the woman killed the fishes. 







ele me penetra como um vento. um vento geral. enorme. maior que um mar. tem as mãos do norte leves, o olho teso, muito forte, muito doce. por favor, não dê animais de presente para esses meninos. animais não são brinquedos nas mãos de crianças, de gentes.


é coisa mais maior de grande. ele, o menino, que canta como se sangrasse e entende. e diz por mim, pondo muito silêncio na leitura que faço dele. quando eu soltar a minha voz por favor entenda. são as lutas, somos todos nós; aqui. são alguns de nós, talvez mais. vivendo lendo atravessando essas palavras. uma geração inteira salobra, tentando deslembrar do tanto que se cantou a esperança, esse peso, suave coisa nenhuma, doutor, suave coisa nenhuma, a moça repetia ao telefone. ele canta ao meu ouvido ao som da caravela de hélices. digo que tenho medo de escutar as vozes do vento, agora que fechei as janelas e parei a máquina pra velejar. ele brada sem stop, para que aprendas da respiração, apenas escutando, sem dizer. sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa sem narrativa explodo de modo a respirar longo, explodo na pausa, ao mesmo tempo.
contrario o ritmo, o tempo das linhas escorrendo pelos dedos, por debaixo do LSD do LCD. preguiça do barulho que faz o enlouquecer, virar caquinhos. o que aprendi só sei quando não digo. preparar flores, plantar árvores, ler o alto sertão sem auto centrar-se. ser verde. ser outra coisa que transborde o sentido, mesmo aquele do rio. de todo modo, não estar seca, ele me ensina, com suas mãos muito velhas, ásperas, leves, precisas. o claro de tão negro do amazonas cortando a pele da terra, antes que vire chão, cimento. ah, menina, ele balança de canoa e me sopra eu estou aqui nesta toada, eu que lhe vi menina, eu que nunca lhe vi mulher, mas imaginei. rompe os olhos de jabutica, esses olhos de aguamento do matogrosso. quem é ela? quem é ela? quem é ela? a mãe que abraça dentro do mar. e outra soprando um sobrevoo oceânico. é isso, eu não vou postar. é isso, entende? ele está aqui nos meus ouvidos,  isso basta.
ela pergunta pergunta pergunta pergunta em looping: onde será que isso começa?
quando pousa?
não sei responder porque assim não me pauso.
por isso devolvo.
e para?
e cessa?
enter por enter.
isso do viajar de uma viagem?
ele ouve o que escrevo e tem vontade de verdade.
pra tantas tira som de uma cabaça.
diz que são dúvidas.
me desfia
jogando água no que seca de sol
no que arrefece
sopra minha ferida e diz:

- o tempo é esse rio, e tu a canoa que se cansa e fica no meio da história.
por isso podes parar nesta linha se achas que é hora, maninha.
descança.
diz forjando uma amizade que não existe.
lavra-me
com a mão que é a voz.

sorrio, doce, com a suavidade dos aguamentos.
venha,
tire essas mãos da máquina e toque um pouco de terra, de rio.
me derramo.
porque não cesso.

ele me leva livre
ele me cura.

ponho os lençóis para secar, limpos.

parto dolorido as cordas do umbigo de cada âncora e nos repartimos,
toda a manada
cada um na sua correnteza
sendo rio

do corte, agora, só esse da canoa
na espinha, a fenda do pradianti


e fica aquele olho,
que não sai de dentro,
no armário de mim.


veio comigo, no voo;





ame-me
pero
keep walking



















chuva s/olhos de boi

 it's just a little bit cold here. she did a very specific movement.
i think i would love her forever.

but it's just a kind of weather 
that my soul becomes a body.
i don't know 
said as if was - wholly - an amnesia mind

said as if was a stage

to reconnect the narrative

it seems too fast, don't you think?
- yes.












                  

eyes s/curtain



insideout
outinside

just let me time
to understand

(to not)

just being writting


ain't me
in us

ain't you
that look without read

it's just a windows
publishing everything out

don't forget, she said
insideout
outinside

>thanks, belly
















au)cummings(gusto s/40 campos


there is a silence in it
about autumns and winters
just time falling
with quiet eyes

there is a beauty in it.




















then one day
one magic day he passed my way, 


she said


just keep walking













olhos de ficção
transbordam quimeras
derramam absurdos
s/ o armarinho.



fique são
que meras palavras 
não te dizem tudo que sou

beijo nos olhos, observador
acorde

que amam mais os poetas
a sua invenção
do sopro de vida vivida
acorde maior 

olhos de dengo
no volume máximo

me beije nos olhos, observador
s/este ar marinho

uma xícara de chá de lantejoulas
olhos negros cruéis tentadores
vento que dá na vela



roda o disco da política da delicadeza
sempre o carnaval, essa ficção
barco que leva a gente
beijo cego

s/o batom vermelho
















sailormoon s/drawer



in a spring  that does not exist
but inside
yes, she does
ficções do winterlúdio

over a barb time
a barely big green lighter 
to smoke  the gleed away










talvez ia leve
bem ...
quando foi


cubo mágico s/armarinho




















ao remetente,
não encontrado 























tintas s/memória


para liana f

no meio das pastas do congresso, eu achei, tempos depois, um dossiê laranja. um postal escorreu da folha transparente e começava com ela dizendo que precisava ir embora. está ficando tarde e não faz mais sentido ficar sentada aqui. e eu me lembrei do projeto da casa, do nome dos filhos, da ficção afetiva que criamos. quase uma dramaturgia. ela reclamava que o castelo tinha ficado lindo, mas que sempre soubemos que o mar levaria embora... porque era assim a ficção.

está amanhecendo e eu também estou sentada, como ela disse, perto de uma linha laranja. mas, ao contrário dela, não há castelo, há ruínas. e nem há chuva. e nem cigarras. e dormiria facilmente, não há insônia. ela sempre dizia isso: que o barulho das cigarras não deixavam ela dormir. parece que tem uma bolha morando dentro de mim. foi exatamente assim que ela falou. bolha de sabão? talvez sim. releio várias vezes o que ela diz sobre alguém dentro parecendo gritar. mesmo serena como estou posso sentir o que é. penso seriamente como o que nos uniu foi isso, 
todos nós, naquela juventude de chinelo de dedo roçando o barro vermelho.

* 
*





                                                                  
não me cabe dentro dessa mala velha que você tanto gosta


*


quero dizer agora que não cabe mais sentimental na nova onda que tomou nossa juventude latina-americana e a sensibilidade é uma bobagem. e que ela esteve sempre coberta de razão e que quero roubar as frases dela para entregar ao mar. uma carta feito barquinho de papel para ser levada com os castelos de areia. e eu sei disso e me dói, ela não para. parece gritar, mesmo suave, das letras de forma do papel: não me cabe dentro dessa mala velha que você tanto gosta. 





por mais que você tente arrumar tudo direitinho, a mala não fecha, eu concordo. é uma carta de adeus e tantas malas outras já se amontoam no corredor, quero dizer a ela. e que as cartas estão todas a salvo no dossiê doce-é. você devolveu tudo antes de queimar, se lembra? o que aconteceu com nós todos, menina-poeta, indago lembrando da foto da turma de 1998 pregada no quadro de avisos. ela desenhou uma linha laranja no chão do quarto e nunca saiu. ela me dizia que era a linha da moral, mas me confunde, hoje, a palavra. certo e errado, querer e não querer, real e ficção... eu tinha cimentado um esquecimento naquelas cartas, naqueles desenhos, naquela fabulação da vida. e eu ia dizer a ele, dali por diante, olhe, eu não vou voltar atrás. eu não vou voltar a viver com a moral que separa os lados em dois. *


 não quero sair da sua vida. não quero que você saia da minha. mas sinto que devo sair da nossa

*

ela disse que não era adeus como realmente não foi. ela disse que era um sorriso aquele postal. um sorriso sentimental. sorrio toda vez que leio a última palavra, porque é a cara dela. não assinou nem datou nem carimbo era registro de história. porque era ficção, me lembro agora. e no agora uma caixinha cabia dentro da outra e não tinha mais problemas com malas - estavam todas no corredor - e eu também não queria mais caber onde não me coubesse. 







cena de abril s/ana c.










caligrafia s/ um pé de página





















ovo apunhalado s/lápis de cor


















grafite s/cabral