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mastigo folha na ilha dos lotófagos.
procuro a qboa para pingar nos olhos.
quero esquecer tudo outra vez.

o corpo-gelo do rapaz, o corpo-esquiva. intermitente, em fuga. quero apagar do meu, de mim, esta memória das mãos se esticando para tocar. me esticando inteira para tocar.

nunca mais, nunca mais o corpo-gelo
essa ilha de sonhos extraviados, de desejos falidos
nunca mais
essa distração
essa armadilha
de voltar sempre ao mesmo lugar.



na pele
pipoca
o tempo
de espera
do amor.


feito faz o ar marinho na pele do mar
enrugando tudo.

sem cais, sem casca.

sempre sempre o tempo
cortando por dentro o corpo


e o imastigável, ali
no relevo
do entre



















pralém das áreas vips, dos camarotes disfarçados, dos palanques de rimas, dos abadás dos guetos
para além

quando uma ou duas vezes só
quando um bocadinho só
de dormidas nos leva a uma intimidade
de cheiro pele gozo
de estar nu

{conectando
com o outro
cheiro pele gozo}

de querer outra vez
quando tudo já tiver
sumido
evaporado
no asfalto

estranho sempre te ver na rua
o modo como é
tudo muito nada

escrevo assim da maneira que sou
mania de botar palavra
essa lava escorrendo quente
no corpo que pulsa
{pele osso líquido}

sentindo tudo, intensa, no volume máximo

qualquer coisa que aconteceu e não continuou.




para no dia que você vier
e eu não estiver ido embora

toma esse poema, observador.

pra no dia que você não vier
e eu nunca tiver ido embora
desse lugar

toma esse poema, querido,
que ele me sossegue o corpo

pra no dia que você vier
tarde demais, observador,
quando eu já tiver partido,

esse poema, meu amor,
toma,
que ele te beije os olhos.

eu sou a selva
e a selva somos nós

{seive-me. salve-me. selve-me}

não tem ponto
a luz invadindo os quatros cantos
sem interruptor

aguar a mágoa
deixar a vida ir
pradianti
deixar a vida
pragora
{sem pretéritos}


estar cósmico
é sermos todos ao mesmo tempo agora

para Janaína Chavier

oxumaré
um ar marinho em são paulo, 
feito uma clandestina garrafa 

um sopro - isso não é um souvenir. 

nana
dada

várias e rápidas sensações impossíveis na lentidão do teclado. 


essência provisória. 
CEPs e BRs

cobras lindas 
curas. 

estar móvel no mundo.



aqui-
é-
tar-se

consigo

meditar
me editar

aquietar-se
no retalhinho
de si

ser só
quando um bocadinho
é bom

ser aqui
ser agora


















sobrevoo s/caio horóscopo abreu 


seeds
there
in his hands

a small portion of love

lay your head, whisper somebody else 
to listen the lesson

 terra, respondo em português.



tardes morenas. magnólia, eu disse, mag mag mag nólias.

na hora q foi todo mundoi eu vim

ai meu deus que mania de amor
que vontade de terra.

e o batom vermelho?
still there. still there.

eu disse magnólia eu disse magnólia


não escondo minha meota
de ninguém.

but

i love you
i love you all

não, mag, não foi ficar menorzinha menorzinha
foi ficar maior



por isso, se não agir não vai acontecer.
Vamos transformar isso, camarada.
Precisa de solidão pra construir um teto. E o teto é onde mora o amor.

por isso greve geral do dizer
férias, verão. 

verão que virão as mil laranjas
os 29 beijos
os 32 dentes

dentro do calorzinho do ventre de júlio

movimentar-se para esse pacífico que vai chegar,
esse outro mar

concentrar-se em si mas nos outros
na multidão

ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir ouvir 

dizer cotidianamente mesmo sem bondade, mas no amor

saber que é isso mesmo. nem todo dia tem nuvem leve no céu.
por isso corra
corra e olhe o céu

me cante alegrias, me cante paixões


uma hora serei toda tua, armarinho
toda tua

mas agora estou bagunçada, enrolada nos fios elétricos, nos trios frenéticos da vida
esse tempo que pouco tem pausa

isso, isso, faz assim que alivia, 
pôr a cabeça no armário e dizer
 iloveyou
mas tá tudo bagunçado, emaranhado

ah, não importa
pelé disse love love love

escutar os próprios barulhinhos, então. e dizer -
- é permitido. tudo. 

e quem aguenta tudo, meu amor?
até quando aguentaremos esses nós. esses nozes.


pergunto em voz alta. 
aumento um pouco o tom para que não percas minha voz na babel que nos cerca
todos


você acha que sente mais que todo mundo, me julga caioá, ferino como é

ah, meu amor, é esse verão que me bota inexoravelmente intensa





deixa eu fingir?





vai passar, meu amor, o verão vai passar. vai passar. vai passar. 


E eu volto. Só para ti. Só pra ti. 






a paragem da solidão
à deriva
nas velas vermelhas
do mar azul marinho

a água de bruços
pesando no meu acordar

no respiro,
pontofinal











                                                                                 



PARA bERIMBA DE JESUS

Just the Wind blowing _                                                                                        
Without legs.                                                                                                             
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _                            
_ an ant climbing the paper                                           
 sweet paper, honey                                                                                                            […]
a writing made of sugar                                                 
volúvel, não                                                                                                                        very
solúvel.                                                                                                                   green grass 
des_carregador_ _ _ _ _ _                                                                                     and a lake
rega essa grama                                                                                           dancing over me
para pôr os pés                                                                                                I already lived
e sonhar, outra vez                                                                                     this kind of body
                                                                                                                  a very late lake soul






















outono s/armarinho

do acaso das águas


mover disso
tempo

a tag feito alfinete.

voo bem livre
sem acentos

longe da frouxidão de tags
unindo pedaço por pedaço

(um corpo-teia. cheia de remendos, suturas, ao revés)


as ruas da cidade com novidade


como o som vibra o corpo
e não só a boca.
assim como no gozo
assim como no corpo-andante

(continua)
me cansei de narrar.

- quem nao esta no livro das caras nao existe, me disseram.
- em que real, perguntei.












beijo nos olhos, observador
me liga

jamais portas-contra

na beira dos olhos
te beijo
sempre a favor

por trás da lupa
o abridor de horizonte
da visão justa que derrama
na beleza da pele
na textura da cor
um tom de olheiras me olha, me abre, me fecha

beijo nos olhos, observador
finja que não é você



sigo para teu longe-perto
abraçando tempo
num violão meio falado, meio concreto


capituresco,
os olhos de ressaca
de homem
todo dentro de mim
fa-tal


beijo nos olhos, observador, e outro beijo e mais um beijo


que seja assim
uma política da delicadeza

sempre livre leve solta







- que real, que real, me pergunto, sorrisando pelo vento. real é rodopio.













uni ver cidade de bras ílha


universo de barro. sertão. aquela luz laranja. enterrar um desatino, um dissabor. um gostinho de terra na boca resta. curar uma agonia. dessas, de ser   tão. cruzar com a paz do silêncio imenso que diz a terra vermelha. de barro. oca.
seu oxossi vive aqui, nos galhos nus.

no tempo da seca
o mais tátil e tácito
de todos

é tempo de ipê rosa coral
depois de um amarelo lima
que ainda resta
tempo

me sento embaixo do ipê
muitas horas.dur a ção

as flores caem feito chuva.
e de repente, uma ilha
ao redor

há e não há bordas, aqui.

o céu, do horizonte do plano, rompe, destrói a maquete e se faz infinito.
e a gente junto.
o deserto, o decerto.
tudo aqui é muito nu

imenso > pros lados

tudo muito pele
da casca das coisas
da gente, junto.

o chão, íntimo. as painas nos chamando para voar. leve.
a seca.
e o roque.

porque há muito silêncio é que se escreve aqui. urgente. por isso o sertão.


a história é minha, camarada.
e a travessia não para
nunca.  
com a língua
contorna os espirais da concha


[habitat]

de onde me tira
para me botar
quente e viva e úmida

com o corpo inteiro 
penetra reto duro forte

[me habitat]

de onde me torno
para me caracolar
morada de mais alguém

[habitácito]






assim,
como se não fosse nada.





















cinco dedos
pressionam o esterno
osso superior do tórax




a loucura dos olhos,
lua cheia


leitura virtual dos pares,
tradução simultânea
game over



cinco dedos
pressionam o esterno
osso superior do tórax
um braço se movimenta
num estiramento
em posição de não








por que sempre sim?
preferiria não









descolo o silver tape da boca
e aviso aos navegantes







textos cortados
ideias em fill the blank






não é obrigado a ouvir quem não quiser me escutar




por isso,
beijo nos olhos, observador
fui.
sauna-room

pouco se respira aqui
neste velho birô de palavras

por isso este espaço brando,

dentro da caixinha onde ouço clementina de jesus
fora clementina samba sob a luz laranja

delícia dançar
sauna-room

por isso este espaço branco, 
um pulmão

por onde respira
uma voz.

erros ortográficos
é culpa das caixinhas
as saunas-rooms

e caracóis também é vida pulsando.

vibra caracol
vibra


vibra
.
.
.
.
.
.
.
.
.

.
.
.
.
..
.
..
.
.

sem corte. dentro que é fora. fora que é dentro. junto
há de haver caracóis











olhos de ficção
transbordam quimeras
derramam absurdos
s/ o armarinho.



fique são
que meras palavras 
não te dizem tudo que sou

beijo nos olhos, observador
acorde

que amam mais os poetas
a sua invenção
do sopro de vida vivida
acorde maior 

olhos de dengo
no volume máximo

me beije nos olhos, observador
s/este ar marinho

uma xícara de chá de lantejoulas
olhos negros cruéis tentadores
vento que dá na vela



roda o disco da política da delicadeza
sempre o carnaval, essa ficção
barco que leva a gente
beijo cego

s/o batom vermelho



anda porque não pode parar
faz círculos
desenha a rua com passo

essa paciência não tem
de parar
e esperar
vir
vai

nunca chega, coração
nunca chega,
diz,
giz
voltei a chover/estou verde

comendo fruta no pé.

pé de menino
pede garrafa
praça

é que nem coração de mãe