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na poesia do gesto
que espelha
sopro de vida

voe comigo;

num instante só
onde o vazio faz-se bolha
com o ar marinho

voe comigo;

no sorriso da criança
dos olhos brilhantes
na prova dos nove da alegria

voe comigo;

no ploc a ploc
do beijo sem amanhã
só no agora

voe comigo;

pela política da delicadeza
pela poética do carnaval
mais leve que o ar, na asa da palavra

voe comigo;

a moça confirmou e eu disse, sim, é pela delicadeza que viemos. leve, assim, efêmeros, uma bolha de ar se fazendo no meio do céu, o reconhecimento do vento. leve. leve e não traga mais. que fique só o gosto da estrutura da bolha de sabão. que seja sempre permitido a metáfora. que tantas vezes não cabe em tempos de chumbo. que tantas vezes fica invisível e ploc, ploc na realidade do corpo, da vida, da morte, da tortura. 
fevereiro sempre chega intenso. e às vezes vem derrubando tudo, desastrado que é. 
estou perto de chegar outra vez. e depois ou quase agora chega o quando a hora da razão. tá perto ou já chegou?
desde quando ficou tudo tão?
desde quando ficou tudo tão, meus amigos? tão pela metade. 
mas eu queria dizer mesmo é isso. delicadeza. soprar o vento pra ele me levar. quis ir com ele para me esquecer do tempo, apressada que sou. fiz oferendas pedindo isso, que o amor fosse mais leve em nós. que a vida fosse mais voar do que esse ralar do asfalto. que eu tinha chorado muito pela morte de um irmão que nem aconteceu. e que agora era a vida, o amor a ela. 







arisca
arrisca
no mar
o seu segredo










leve, minha mãe
esse caminhar apressado
de quem olha e não vê
a magia do instante

leve, minha mãe
bem leve
esse passo
de botar palavras no invisível


respiro fundo fundo fundo do mar
sopro

vida
leve
voa com o vento












fiquei com uma imagem de horizonte de canavial na minha memória imediata. mas com uma bateria de afetos novos. novinhos, embaladinhos. e tudo cada vez mais metafórico.


fiquei com uma imagem de horizonte de canavial na minha memória imediata que depois se sobrepôs a uma linha azul de horizonte de mar.




voltei de viagem e ofertei o cavalo do carrocéu para uma multidão.


saímos em cortejo:
marítimos solenes profanos






eu cheguei no dia do cortejo 


de bolinhas sabão e barquinhos de papel


e sorri para caioá
íntima
silenciosa
secretamente